Meu corpo delatou novamente
em palpitações absurdas
ao pé da garganta
a quem o coração
ainda
pertence.
De quantas despedidas eu preciso
para entender que você partiu?
Porque só o que eu faço
desde então
é planejar nosso reencontro.
E não importa
o tempo que passe
antes de dormir
o meu refúgio
é te sonhar.
Ainda é nublado

Tempestade
das lágrimas
que transbordam de mim
toda a falta que você me faz

Estrondos
da minha hostilidade
tentando dissolver a raiva
das minhas escolhas tão falhas

Por vezes, meus punhos cerraram
Em outras, cederam ao chão
Em arrependimento

As noites
Seguem amargas
Iluminadas pelas memórias tuas
em todo canto.

E eu,
já não sei quem sou
além de morada
da solidão.




O meu estado é de completa agonia.
E a minha vontade é de pausar o mundo
até que eu possa retomar o fôlego outra vez.
Eu falhei em entender minhas emoções
e errei mais ainda em achar que a despedida seria a solução.

No fim, a sensação que tenho,
é que em cada vez que te deixo
eu me deixo com você.
E de repente
é como se eu estivesse
completamente a mercê
dos meus antigos medos
que tanto me amarram
soterrada em mim.

Somos como personagens
Em um palco frágil
Da vida
Começamos com um grande elenco
Cores e enfeites
Máscaras 
que caem
Elenco que diminui
Sintonia que se perde
E os que sobram
Ao fim da peça
Despidos de adereços
Descalços sobre as tábuas do antigo salão
São os que dão sentido a tudo isso
E fazem valer
Esse jogo de fantasia
De encontrar vida
Em corações alheios.
E toda vez
Eu me pego com o coração na boca
Sem acreditar
Em tamanho acelerar
De um peito
Que não é meu para segurar.
As vezes eu penso
Que se o meu pensar
Te encontra em pensamento
A gente caminha junto
Mesmo que distantes
A maior dificuldade de me encontrar
Foi entender que eu não pertenço
Perto dos que eu tanto tenho amor.
Eu queria
Que as linhas tortas
do meu caminhar
Não atravessassem o caminho
De quem eu não tinha o direito
De inquietar.
E em um mesmo dia
em que tudo parecia muito maior
e pesado demais para carregar
Eu fiquei miúda
Porque ao fim
Aquilo que não me cabia
Era poeira
Perto do que realmente deveria importar.

E o meu coração
que sempre morou do lado de fora
Aprendeu desde cedo
que ele vibra na frequência do outro

E mesmo depois de tantos anos
Sincronizados
Sentindo em mim cada impasse seu
Eu nunca aprendi
a te sintonizar na sincronia inversa

Eu só queria
que morasse em você
toda a alegria que mora em mim.

E não importa o quanto eu repita
as mesmas palavras
O quanto eu peça
Se você escuta a minha voz
Mas não me ouve.
E mesmo que as coisas mudem
E os medos não sejam mais os mesmos
Ao fim do dia é sempre igual
A noite me desperta
Para dentro de mim.

sempre 80.

Eu sempre fui de mergulhar, de me jogar no fundo.
Nunca soube nadar em raias rasas. Nem a ter vários sobressaltos superficiais.
Eu ia guiada por uma intensidade que me trazia de volta sempre com dificuldade.
Cada mergulho era uma viagem.
Cada passo era no fundo.
Cada um ao meu redor significava uma vida inteira.
Era entrega.
Mas talvez eu tenha ido fundo demais. Demorado demais.
Porque eu permaneci
sem dar pé.
Num mar cheio de gente
na areia.



Mas se eu tivesse permanecido inteira
Quantos pedaços meus
Eu não saberia que tinha?
No seu dia
Te escrevo todo o amor
Que possa caber
Nos infinitos abraços
Que eu queria me encaixar.