Se eu pudesse morar naquele dia, eu moraria.
Repetiria cada fração de segundo. Demoraria em cada riso.
Pausaria no instante daquele parapeito. Esticaria os minutos e atrasava os ponteiros. 
Aterraria os pés na areia, e ficaria mais. Prolongaria o meu olhar ali, bem aonde ele gostaria de estar estacionado agora.
Eu voltaria, e faria tudo exatamente igual, assim como tenho feito, em pensamento, nas inúmeras vezes que aquela música e aquela manhã se repetem e se repetem em minha mente.


Outra vida,
depois daquele abraço
Depois da frase
que nos despiu
de adereços
e fez nos escancararmos
e sermos nós
a sós
pela primeira vez.