A vida rodopiou sobre os meus rascunhos de planos. Mostrou que apesar das rédeas, que vez ou outra acredito ter em mãos, os caminhos que eu percorro, é ela quem dita. Posso até escolher coragem ao caminhar meus passos, ter ousadia em uma madrugada saudosa, frear os que não me fazem bem ou rabiscar os poemas que quero esquecer.
Posso sim, escolher o lá ou cá. Ficar ou ir.
Posso mudar de cidade. De rumo. De planos.
Posso prometer não mais apaixonar-me. Prometer não mais sofrer, não mais doar-me tanto ao que não me pertence.
Só não posso, acreditar em todas essas promessas.
Porque, todo esse controle, ilusório, voa pelo ar, quando a vida me puxa o a tapete para dizer, que não, não é lá que eu devo estar. Que não, não vai certo. Que não vai acontecer.
Que eu devo então, escolher um outro sapato, para caminhar um outro caminho, que me leve sabe lá a que outro lugar. Ou a alguém. E que talvez, esse outro seja apenas passagem, para o que ainda há de vir.
Porque eu nunca vou saber, em passo a vida vai estar.
E só me resta caminhar.