A gente não sabe o que acontece por trás da porta.
Nem tudo está à vista.
Na vitrine. Exposto.
Cada um tem o seu universo.
Os seus poréns.
Tantas lágrimas se fazem em silêncio, alheio a plateias.
...
A gente não sabe.
A gente não vê.
 E é em vão tentar mensurar a dor de quem não a está sentindo.

Retirada abrupta:
Crises e crises de abstinência.

When you were here before
Couldn't look you in the eyes
You're just like an angel
Your skin makes me cry

You float like a feather
In a beautiful world
I wish I was special
You're so fucking special


But I'm a creep
I'm a weirdo
What the hell am I doing here?
I don't belong here
...

You can drive all night
Looking fot the answers in the pouring rain
You wanna find peace of mind
Looking for the answer


É impossível prever que talvez o instante de agora vá se tornar algo grande lá na frente.
E foi num instante assim, em um impulso: que eu não previ que minhas escolhas fossem machucar tanto, por tanto tempo depois.
A gente tem os olhos vendados para a maioria das consequências que nossos atos podem ter.
Não há previsão.
Não há dimensão do que o "agora" vai se tornar um dia.
Eu não pensei. Eu não previ.
E eu nunca quis tanto voltar no tempo...

Quantas vezes eu não consegui imaginar minha vida sem alguém, que dali a algum tempo não estaria por perto mais.
Tempo passa e... Tudo muda tanto.
O tempo todo.

É tão estranho contrastar um dos dias mais felizes dos últimos tempos, com um dos mais tristes.
Assim, sem aviso algum: o vento muda de direção.
Eu queria que tudo transbordasse em tradução, da nossa fala: falha.
Eu queria te emprestar o coração, para você se ver nele.
Eu não queria o abismo.
Eu não queria a distância
Eu não queria acreditar tanto que seu caminho é melhor sem o meu nele.
Mas cabe a mim entender que o seu caminhar tropeça,
quando junto do meu.

E o que mais me dói nisso tudo: é a culpa que carrego, naquilo que me freia.
E eu me deito,
Envolvo-me em silêncio
Debruço sobre o escuro,
Na companhia de um frio na barriga,
Que há tanto tempo, faz morada em mim.

Mas eu falei sem pensar
Coração na mão
Como um refrão de um bolero
Eu fui sincero como não se pode ser

E um erro assim, tão vulgar
Nos persegue a noite inteira
E quando acaba a bebedeira
Ele consegue nos achar


Tem noites, tão silenciosas
Que a solidão que faço de abrigo
Deixa de ser casa, para ser saudade.
Se um dia eu puder, vou deixar a parede do quarto contar todos os sussurros que a faço guardar.

Dos dias que não há silêncio para a dor
Que o colo pede recosto
E que a noite faz crepitar: todos os gritos que não quero calar.
E o mundo fica tão melhor,
Quando passamos a confiar na gente
E nesse a gente que acontece do nosso lado de dentro
E não nas versões do mundo de fora.

"A vida segue.
E eu, cega, a vida sigo.
Estrela guia perdida, para onde foi? Para onde vou?
Para onde me levam os caminhos?"
CQ


Eu não queria ir.
Não queria ter que voltar depois,
Não com uma mala recheada de poréns.
Eu queria ficar. Estacionar na encosta. Descer.
Eu não queria a curva.
Eu não quero virar ali.
Mas o que me rege não parou de soprar... De me empurrar.
E eu não queria, não queria ir. Mas fui.
E eu sou um tanto,
parte de mim é silêncio
de um outra parte que ainda é grito.
Parte de mim é saudade
de uma parte cheia de culpa.
Parte de mim se solta
de uma parte que quero atada.
Parte de mim é vento
de uma parte que voa, calada.

Eu sempre precisei das palavras para me expressar. Sempre usei como refúgio as construções que fazia com elas.
E eu me entendia nelas.
Me moldava.
Construía as minhas respostas nas perguntas que eu nem sabia que tinha.
Mas de repente, os meus sentimentos não reconhecem mais as letras.
 Não sei achar palavras que me traduzam. As minhas frases saem descompassadas. E eu erro na minha própria tradução...
E as palavras, que foram sempre meu alicerce, tornaram-se o que?

Os anos chegam para me mostrar que o tempo não faz esquecer.
As tantas estações que já se passaram, os dias que começam e terminam comigo ainda lembrando de cada detalhe.
Cada pedaço dos outros que guardo em mim. Pedaços de quem nem imagina, mas que me montam: inteira.
...
E os dias continuam a passar. E eu só sei fazer: lembrar. Sempre.

Noites que o sono não vem fácil
Que o instante não passa
Que as vontades vagueiam
E os pensamentos se fazem em lembranças
Que me enlaçam em saudade.

Foi a primeira vez que eu disse que ia, que você não disse "fica". Foi quando eu nem tinha ido, mas já doía a sua falta.
"Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
Ou passo..."

É a contramão do que acredito,
É o revés de mim,
naquilo que faço.


Tem ainda uma parte que eu não entendi.
Desde o começo e até hoje.
Até ontem.
Algo dito e não dito. Meio solto.
E as coisas que por vezes oculto, num canto de dentro.
De repente, tão as claras...

O cheiro na roupa.
O travesseiro amassado.
O coração bagunçado.
E a saudade que deseja,
a sua mão ao encontro da minha.
Que haja força no silêncio que há de vir
E fé na espera que nem sempre traz o que se quer.

A tempestade lá de fora.
E chuva daqui de dentro.
Gotas agitadas de lá,
Mascaram as lágrimas daqui.
E nos estrondos que não me escutam,
Escondo meus soluços.



A gente se esconde e esconde tanta coisa na penumbra que nos protege de entender tudo.
É de comum acordo: não é hora.
Não é agora.
Meias palavras. Meios entendimentos.
E um espaço, que reluz, todo um caminho que ainda precisamos trilhar.


Escrevo para deixar registrado tudo que senti ali.
Para deixar guardado em mim aquele instante que eu não quero esquecer.
Escrevo, porque mesmo que um dia tudo mude, eu ainda consiga me transportar para o dia de hoje.
Escrevo, como quem se guarda. Como quem protege, em uma caixinha de lembranças, todas as coisas lindas que me fizeram chegar até aqui.
Escrevo e te guardo, em mim.  Sempre.

30/01/17.
- Você se lembra de tudo?
- Cada e todos os detalhes.
- A sua memória é uma dádiva.
- Não, não é.

Toda a minha saudade.


E ao fim, a história é sempre a mesma. Os personagens se alteram e eu continuo no mesmo papel... Protagonizando a mesma cena. Sempre.
Demoro a entender e compreender os atores de cada trama. Tropeço e confundo, confio e amo quem não devo. Levanto. Troco as peças. Uns se encaixam, outros não. As fantasias me confundem e eu continuo a me entregar.
De novo? A ciranda roda e eu vou aprendendo, redecorando os mesmos movimentos e palavras que já me foram ditas, tantas vezes.
Ao fim, as máscaras caem, as mãos se atam. E eu? Prometo, em falso, que é a última vez.