Que a vida não seja peso
Que os sentimentos não sejam grades
Que o mundo não sufoque
Que o vento me carregue
E os meus pés desatem do chão
Porque eu sou sopro
Das vontades do meu coração.
As lembranças
Faziam dela morada
Eternizando o para sempre
Que se esvaiu em seus dedos.
Eu queria parar o tempo.
Acalmar o ponteiro.
Congelar os dias. Esses malditos dias que insistem em seguir.
Dia após dia. Como se nada tivesse acontecido.
Atrasar as horas. Essas malditas horas que correm para frente enquanto eu corro para trás.
Eu queria parar no tempo.
Estacionar o instante.
Ventar para longe. Junto do fôlego que você levou no dia que se foi.

A morte machuca  porque é a certeza do nunca.
Nunca mais aquele abraço.
Nunca mais aquele colo.
Nunca mais o ombro que eu amava ficar pendurada.
Ela confirma uma via única: daqui para frente a saudade só aumenta.
E nada estanca.
Por trás de um sol que amanhece em mim,
Uma noite em claro
Ou
Por  trás de uma noite em claro,
Um sol que amanhece em mim?


Depois de te perder
Te encontro, com certeza
Talvez num tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei
Como encantado, ao lado teu.
Não cala, 
não disfarça.
E diz tanto, até quando tenta esconder.


Eu guardei todas as farpas
E a maioria dos soluços 
que não transbordaram nos colos dos meus.
Eu tento
Mas o silêncio que protejo
e me protege,
crucifica também.

Meu poema favorito
Escrito pelo canto do seu sorriso
Quando encontra a curva que seu rosto faz.
Ele cuspiu machismo sobre mim
E nem percebeu
Eu reagi
Ele não entendeu
Ele tortura sorrindo
E nem vê.
Incapaz de percibir tu forma
Tu encuentro a mi alrededor
Tu presencia llena mis ojos con tu amor,
Doblega mi corazón
Porque estás en todas partes.
De repende as coisas não precisam mais fazer sentido. Satisfaço-me em ser. Tu és? Tenho certeza que sim. O não sentido das coisas me faz ter um sorriso de complacência. De certo tudo deve estar sendo o que é.

Clarice.

“Você

veio e nós permanecemos
você foi e
eu permaneci
alterada
suspendida
e sentada.

Eu

que não fumo
me levantei
pra fumar um cigarro
depois que você foi embora.”

Onde antes eu era sobra
um vazio faz morada
O que antes era excesso: hoje me falta.
De sobra.
E no meu mundo
A noite se faz mais viva
Mora em mim uma intensidade que aflora ao anoitecer.
Como se tudo pulsasse mais forte.
E cada instante é uma eternidade.

Imensidão.
Multidão.
E cada um, seria o mundo de alguém?