Tem noites, tão silenciosas
Que a solidão que faço de abrigo
Deixa de ser casa, para ser saudade.
Se um dia eu puder, vou deixar a parede do quarto contar todos os sussurros que a faço guardar.

Dos dias que não há silêncio para a dor
Que o colo pede recosto
E que a noite faz crepitar: todos os gritos que não quero calar.
E o mundo fica tão melhor,
Quando passamos a confiar na gente
E nesse a gente que acontece do nosso lado de dentro
E não nas versões do mundo de fora.

"A vida segue.
E eu, cega, a vida sigo.
Estrela guia perdida, para onde foi? Para onde vou?
Para onde me levam os caminhos?"
CQ


Eu não queria ir.
Não queria ter que voltar depois,
Não com uma mala recheada de poréns.
Eu queria ficar. Estacionar na encosta. Descer.
Eu não queria a curva.
Eu não quero virar ali.
Mas o que me rege não parou de soprar... De me empurrar.
E eu não queria, não queria ir. Mas fui.