Tem dias
que passam sem eu ver
Dias que não coloco os olhos para fora
Dias
que me volto
pra imensidão, de dentro.
Ebulir
Transbordar
São recorrentes em mim
E, recorrentes aqui

Eu gosto do que salta 
Derrama
Do que me faz pausar em um momento
e realizar que ele ainda vai me fazer voltar sempre ali

Nos dois extremos
de espiríto
e em todos os milhares que ficam nesse intervalo
o que eu gosto
é de sentir a vida,
em cada poro.
 Você voltou.
Nos pensamentos,
e nas palavras.

Você voltou
de um jeito real
possível.

E de novo
Voltou o anseio
a sede
de tudo que te toca.

 

Talvez não careça pressa
Não tanta
A vida me presentou com a oportunidade
de exercer aquilo
exatamente aquilo
que me fez escolher estar onde estou.



Gosto do que queima
Arde na pele
e no peito

Gosto do que pulsa
E me transborda
o corpo

Gosto da ebulição
Da inquietude
do fogo

Gosto assim
de não caber
Em mim.
Tola,
eu nem sabia
que seria na calmaria,
que eu me afogaria.

Entre mares rasos e monótonos,
eu prefiro a ebulição.

 Dentro da redoma fria
que você vê
Moram os gritos
da saudade

que você pediu para eu calar.
Mas a gente tem dessas
de transbordar pelos olhos
a falta que o outro faz.
 Dói,
Porque não cabe no peito
Transborda,
Porque o nosso encontro sempre foi sobra
E lidar com a falta,
Me faz vazia.