Longos e longos monólogos
Comigo
Tentando entender
como vestir-se de mim
depois depois de um tempo
habitando o lado de fora.
 E assim
Num estrondo
A saudade arrombou a porta do quarto
Colocou o lençol pro lado
e deitou-se comigo

Sussurrou no meu ouvido
Memórias
Que eu já tinha estancado

E assim
Sem aviso
Recaí em lembranças
No vazio da cama
Relutando a adormecer
Para te sonhar.

 A escrita não é o refúgio,
Ainda que soe como tal
A escrita
transforma em palavras
meus sentimentos
sem tradução

E assim,
os reconheço.

Existe um espaço de quietude depois da emersão. 
Um silêncio.
Retorno de um mergulho muito fundo. 
E os últimos dias foram como aqueles momentos que antecedem a saída à superfície quando você erra o calculo e acaba por ficar mais tempo do que o esperado sem ar.

Sou recepcionada pelo balanço calmo das ondas
O que me causa estranheza
Respiro, ainda sem saber como voltar a margem.
Não sei se quero,
E os resquícios de esperança, que sempre me nutrem, atrasam o meu retorno.